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A mão e o Espelho

Enquanto caminhava… crescia… evoluia…
Andava pelo mundo livre enquanto correntes prendiam-me os pés
Eu sempre podia ir para onde quisesse ir, mas sabia que havia um limite que me prendia
Esse limite me amargurava o peito, apesar de nunca tê-lo sentido, nunca o havia ulrapassado, mas ele estava la e de uma hora para outra poderia ser impedido de buscar alguma coisa que muito quisesse. Um dia caminhando encontrei um espelho, meu reflexo não era somente eu, mais era a expressão de um mundo que eu queria viver.

– Desejo, Vontade, Atração.

Fiquei muito tempo consternando a minha imagem, desejando-la, meu mundo parou e parei de buscar novos caminhos para os quais caminhava em vão. Parei de buscar a solução para o problema que não havia me proposto. Estava tudo ali em minha frente.

– Minha razão, meu ideal, minha perdição.

Então o desespero tomou minha mente tentei avançar em direção a ele, com força e raiva. Mas a corrente me prendeu. Estava diante do meu sonho de mim mesmo e atado aos meus principios. E quanto mais eu tentava aproximar do espelho mais a corrente me segurava, me detia. A amargura tomou meu peito, a tristeza por não poder chegar perto das minhas aspirações, daquilo que buscava, minha liberdade fora tirada, a gaiola em que estava encerrado estava aberta e mesmo assim eu não podia sair.

– Raiva, fúria, Ira.

Num impulso me joguei em direção ao espelho com toda a força que me havia e para a minha surpresa as correntes se romperam, estava novamente livre, no entanto, não era mais o mesmo! Estava totalmente solto, meu cordão umbilical das minhas certezas de cada dia havia se rompido, observei então meu reflexo no espelho, ele sorria apático, cordial, como se buscasse esconder as mentiras que o mundo tentou sempre me esconder. Mas agora não podia mais voltar, aproximei dele e comecei a observá-lo com atenção.

– Admiração, Visão, Loucura.

Queria me unir a minha imagem, ser aquilo que sempre desejava ser, mais ele era meu reflexo, minhas unhas tocarão a superfície lisa do espelho, e por mais liso que fosse me parecia aspero, pois a raiva ja me cegava por não poder estar com ele. Passaram-se segundos, talvez dias, talvez anos, o tempo ja não fazia mais sentido. Apenas a amargura, sentia sono, sentia raiva, sentia paixão por aquilo que não podia alcançar. Me desesperei! Minha mão se lançou contra o espelho com força.

– Impacto, Dor, Sangue.

Meu sonho se partiu, diante de mim se desvaneceu em pedaços, meus ideais eram falsos, eu fora enganado pelas minhas vontades. Senti a força me faltando, meu sangue exaurindo as veias, o ar fugindo dos pulmões. Os momentos que se seguiram ja não podem ser descritos de forma lógica:

– Alucinações, espasmos, morte.

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A dor da alma

A dor da alma

Queria falar de dor, mais é meio complicado defini-la, talvez uma boa definição para dor seria como: angústia do corpo. Mais existem mais tipos de dores. A dor do corpo é uma dor apenas relativa, pois se no meio físico estamos logo sabemos de onde provém essa dor, no entanto, temos que encarar uma dor que é bem pior que essa primeira.
Que podemos chamar de dor da alma. Esta sim dói aos poucos, corrói devagar, e sua cura é imprevisível. Enquanto escrevo esse pequeno texto, milhares e milhares de pessoas estão sofrendo desse mal. Eu poderia até dizer que o tempo é o melhor remédio, mais no entanto, este não pode ser prescrito para todos os casos. Por em alguns casos a dor é simplesmente contínua. Se a dor é forte o bastante para causar cicatrizes, carregamos esse fardo pelo resto de nossos dias. Mais não é aquela cicatriz que todos ficam impressionados em ver que você tem e perguntam como foi o tombo. Porque essa cicatriz quando doer só você irá perceber. Será naquele momento em que a lembrança da causa da dor se tornou evidente.
Sinceramente não acredito que exista cura para esse mal, se alguém conhece, que me explique, claro que acabei de generalizar, pois essa dor pode ser tão passageira que uma simples cervejinha no bar seja suficiente para dissipá-la (só coloquei a cerveja pra não faltar nos meus posts aqui).
Mais me veio a idéia de que se descrever como se acontece alguma coisa talvez ajudasse a passar pelo momento, motivo pelo qual escrevi esse post. Não venham me perguntar o motivo da dor que eu mesmo não sei explicar…