Archive | abril 2006

Sou o filho da Raiva e do Amor…

Sobre o blog…
Primeiro post do blog, pode começar um pouco estranho, porque já tem um monte de coisas postadas ae embaixo. São os textos que eu havia escrito para o Cheirando Meia onde o objetivo era postar textos originais, imagens, análises, etc.

E o objetivo aqui não é muito diferente, pretendo escrever sobre assuntos variados e ao mesmo tempo tentando afastar o estigma de blog pessoal, aproximando-se somente de um simples reduto de observações do mundo do dia-a-dia. Embora essa tarefa não seja muito facil, sinceramente o objetivo real era só testar a ferramenta WordPress para a criação de blogs. Mas como me empolguei, vamos la ver o que dá…

Sobre o Título…

I'm the Son of Rage and Love é o o primeiro estrofe da música Jesus of Suburbia do cd American Idiot do Green Day, nenhum motivo em particular para usar o titulo, considero uma frase muito forte, afinal todos somos filhos do equilibrio desses dois extremos cabe a nós definir o qual ajudará as nossas tomadas de decisões a cada momento.

Sobre o Layout…

Se o layout do blog esta aparecendo distorcido para você, sinto muito, você provavelmente está usando o Internet Explorer, aconselho fortemente que você baixe agora o navegador Firefox, ele é simplesmente mais seguro, mais rápido, mais estável e tem mais funções do que a porcaria de navegador da Micro$oft. É ele que não segue os padrões da web deixando as paginas todas tortas.Então não perca tempo, clique no link abaixo e se livre dessa porcaria.

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Por do Sol

Enrubrecido morre aquele que me aqueceu
Leva contigo os sonhos deste que já morreu
Espero a relva doce da minha cova ser sepulto
Olho a ti, como se não houvesse outro consolo no mundo
Parece-me triste, mas sou eu que não tardei a partir
No apogeu da minha vida, cometido fui de um ataque vil
Representei meu trabalho e é por isso que lhe falo pela ultima vez
Sol que já não tarda a partir, escuta-me e acalenta minha dor
De minha profissão, a hostilidade deveria combater
Sem piedade bandidos e ladrões deveria prender
Tornar o mundo mais são, para tu sol aquecer
Prendi ladrão perigoso que o nome não tardei de esquecer
Anos se passaram e a mim tu acompanhaste
Para meu inimigo esquecido mais quadrado rancores guardaste
E quando fostes ontem e me deixasse na escuridão
Deixei minha esposa em casa e meus filhos assistindo televisão
Passei por rua deserta fazendo inspeção de rotina
E na frente de um cemitério ocorrou a minha chacina
O homem que eu havia esquecido o nome já havia cumprido prisão
E em seus olhos vi a raiva, executada com uma pistola na mão
De sangue jorrou meu peito em três disparos certeiros
E a quem perdeu muitos dias de vida
Me tirou a vida inteira
Cai de joelhos com a vista alterada
Enquanto nas janelas senhoras curiosas observavam
Aquele que me atirou sumiu na escuridão
E uma mão me segurou, enquanto eu desfalecia ao chão
Passou-me neste momento tudo o que vivi
E uma certeza amargurada no peito de meu trabalho cumprido
Mesmo que minha alma fosse dada como partido
Agora neste caixão eu tento esquecer
A imagem da minha esposa, e a lágrima dos meus filhos correr
Só a tua imagem caro sol vem a me consolar
Morre todo final de dia, e em novo dia se põe a raiar
Mesmo que a ti não volte mais a ver
Cuida do que deixei de ti não esquecerei
Vou contigo por do sol, morte do meu viver

Escrito em 01/02/1999

Sindrome do Não-Estar

Apresento-lhes uma sindrome complexa, incurável, que aflinge a diversas pessoas ao redor do mundo. O sofredor desse mal não sabe que dele sofre, apenas "sente". Sente dor, saudade, angústia por um lugar, tempo ou espaço em que ele não está. A dor é leve, a saudade grande, e a angústia é progressiva. Não-Estar é o mesmo que se deixar passar em branco, pode-se estar bem em um lugar e ao mesmo tempo sentir vontade de estar em outro lugar, um beco de uma cidade onde ninguém passa. Será que quando ninguém passa pelo beco está acontecendo alguma coisa? Quantas coisas estão acontecendo nas entranhas de uma floresta fechada enquanto estamos conversando coisas fúteis? A normalidade da vida, simples, corriqueira, agonia que toma aos poucos, (o que estará se passando no meu quarto agora?). Mário Quintana já sofria desse mal, e o transcreveu no poema "O mapa" observe o trecho transcrito:

"Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo…

(E nem que fosse o meu corpo!)
Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei…

Ha tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Ha tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E ha uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei…) (…)"

A sindrome do não estar é atemporal, ou seja, você pode sentir falta de algum lugar que poderia ter estado, nesse caso, a angústia não é tão grande porque você não pode fazer mais nada para estar naquele lugar, mais o pior é quando sentimos (falo na primeira pessoa como sofredor do mal) falta de outro lugar que provavelmente nos agradaria, esta é a pior das dores, a agonia é tão grande que a cura só vem com uma presença acolhedora que nos preencha o vazio da alma.
Mais é sempre preciso caminhar, a angústia da espera resulta na felicidade do encontro, se não podemos estar em corpo, estejamos em espírito, sentir o que se passa em outro lugar, imaginar… fluir…
Somos escravos de nossa própria mente, liberá-la para viajar por outros lugares é como a abolição dessa escravidão.

A Economia do Elogio

Você já recebeu um elogio hoje? Você se lembra de como é bom receber um elogio? Todas as pessoas gostam de receber elogios, nada melhor do que um para o reconhecimento real de alguma coisa que você fez.
No mundo atual existe um problema muito grande, esse problema se refere a economia atual dos elogios! Acredite se quiser, isso existe! As pessoas gostam de receber elogios, no entanto, poucas o fazem para outras pessoas. Elogiar é uma ação que não traz mal nenhum a pessoa que a faz, pelo contrário, elogiar é uma maneira de estreitar relações de amizade. Hoje em dia estamos com o seguinte "deficit" de elogios, as pessoas esperam receber elogios por aquilo que merecem, porém, não os fazem à outras pessoas porque estão tristes por não terem recebido reconhecimento pelo que fizeram. Isso cria um ciclo vicioso, onde todo mundo é prejudicado. Podemos inverter essa situação!
Vai uma historinha: Uma certa vez um professor de segundo grau, nos desafiou a fazer 5 elogios por dia a diversas pessoas pelo reconhecimento de alguma coisa, durante 1 mês. Proponho o mesmo desafio ao leitor desse texto fazer os 5 elogios diários, vale tudo, elogiar a mãe de como ela está bonita, elogiar sua namorada daquelo corte de cabelo novo que ela fez (ou o namorado pelo desempenho na prova), elogiar seu amigo pela trabalho bem realizado. Assim poderemos fazer o dia dessa pessoa melhor, melhorando sua auto-estima e enobrecendo o seu "ego saltitante" (lembrando Benett).
Aliás "Belo texto abaixo amigo Eduardo! Parabéns!" (só faltam 4 heheh).

O caminho que sempre caminho.

Das coisas que mais me apetecem a alma, é o caminho mais longo que mais me alimenta o espírito. Dos restos do sapato que me restaram, na estrada quente que machuca os pés, o refresco da sombra são as coincidências da vida, aqueles pequenos momentos que não esperamos mais que aconteçam, e se longo estava o caminho, ja toma dimensões de proporções não tão imagináveis, porque caminhar agora não é tão dificil. Se o peso está mais leve, a alma é pura e o ar enche com saciedade os pulmões.
Refletir nesse momento é óbvio, pois as coisas que mais nos atormentavam vem à cabeça e o medo de um "dejavu" inesperado torna o meio mais frágil. Eu não quero mais que os sentimentos que já passaram atormentem a calma do ambiente, é como quando saimos de um sonho bom, e ficamos de olhos fechados esperando que ele volte… triste ilusão da alma… já estamos acordados… o sonho ficou para trás, lembramos então que a estrada ainda é longa para percorrer, e o sol ainda reluz forte no céu. A melancolia de repetir a mesma coisa é a nossa rotina do dia-a-dia, quilômetro a quilômetro, a mesma paisagem, a mesma impressão de buscarmos os mesmos instintos para sobreviver. Então caminhamos cada vez para mais longe, e o longe nos parece mais perto, porque as vezes é mais facil caminhar.
Do trajeto que ficou para trás, resta nostalgia, resta mágoa, e sobra as cicatrizes dos tombos que levamos. Das pessoas que nos acompanharam em pequenos trechos, levamos lembrança dos momentos que estiveram juntos de alguns, e aprendizado de outros, dos primeiros se esquecemos aos poucos, e quanto mais distante na estrada, mais fraca a lembrança desses nos é à memória, quanto aos que nos deram aprendizado carregaremos o legado desses para sempre, porque esse já é parte de nós. Imaginamos sempre o fim do caminho, sem nunca saber no entanto onde ele irá terminar. Se no final estaremos cansados, ou se a água nos faltará no meio quando ainda poderíamos ter força para caminhar. Caminhar… sempre caminhar…

A mão e o Espelho

Enquanto caminhava… crescia… evoluia…
Andava pelo mundo livre enquanto correntes prendiam-me os pés
Eu sempre podia ir para onde quisesse ir, mas sabia que havia um limite que me prendia
Esse limite me amargurava o peito, apesar de nunca tê-lo sentido, nunca o havia ulrapassado, mas ele estava la e de uma hora para outra poderia ser impedido de buscar alguma coisa que muito quisesse. Um dia caminhando encontrei um espelho, meu reflexo não era somente eu, mais era a expressão de um mundo que eu queria viver.

– Desejo, Vontade, Atração.

Fiquei muito tempo consternando a minha imagem, desejando-la, meu mundo parou e parei de buscar novos caminhos para os quais caminhava em vão. Parei de buscar a solução para o problema que não havia me proposto. Estava tudo ali em minha frente.

– Minha razão, meu ideal, minha perdição.

Então o desespero tomou minha mente tentei avançar em direção a ele, com força e raiva. Mas a corrente me prendeu. Estava diante do meu sonho de mim mesmo e atado aos meus principios. E quanto mais eu tentava aproximar do espelho mais a corrente me segurava, me detia. A amargura tomou meu peito, a tristeza por não poder chegar perto das minhas aspirações, daquilo que buscava, minha liberdade fora tirada, a gaiola em que estava encerrado estava aberta e mesmo assim eu não podia sair.

– Raiva, fúria, Ira.

Num impulso me joguei em direção ao espelho com toda a força que me havia e para a minha surpresa as correntes se romperam, estava novamente livre, no entanto, não era mais o mesmo! Estava totalmente solto, meu cordão umbilical das minhas certezas de cada dia havia se rompido, observei então meu reflexo no espelho, ele sorria apático, cordial, como se buscasse esconder as mentiras que o mundo tentou sempre me esconder. Mas agora não podia mais voltar, aproximei dele e comecei a observá-lo com atenção.

– Admiração, Visão, Loucura.

Queria me unir a minha imagem, ser aquilo que sempre desejava ser, mais ele era meu reflexo, minhas unhas tocarão a superfície lisa do espelho, e por mais liso que fosse me parecia aspero, pois a raiva ja me cegava por não poder estar com ele. Passaram-se segundos, talvez dias, talvez anos, o tempo ja não fazia mais sentido. Apenas a amargura, sentia sono, sentia raiva, sentia paixão por aquilo que não podia alcançar. Me desesperei! Minha mão se lançou contra o espelho com força.

– Impacto, Dor, Sangue.

Meu sonho se partiu, diante de mim se desvaneceu em pedaços, meus ideais eram falsos, eu fora enganado pelas minhas vontades. Senti a força me faltando, meu sangue exaurindo as veias, o ar fugindo dos pulmões. Os momentos que se seguiram ja não podem ser descritos de forma lógica:

– Alucinações, espasmos, morte.

Partido sobre minhas cicatrizes e das canções que não ouvi…

(…por uma pessoa que não sou eu, mais que poderia ser daqui 40 anos)

 Engraçado como o tempo flui rápido quando não percebemos o amor das pessoas que estão do nosso lado, se a minha pele já é cheia de rugas, e minha memória ja me trai quando tento lembrar as coisas mais simples, penso que grande parte seja culpa disso.
Durante toda minha vida tentei buscar a razão para amar a mim mesmo, eu nunca consegui entender se isso é um dom, se é uma lição a ser aprendida, ou se é alguma coisa que eu nunca consegui entender, mais o certo é que agora, no fim da minha vida… percebo que me irritei demais por esses pequenos dilemas da vida. As vezes é dificil ser sincero para com os outros, se você não consegue ser sincero com você mesmo, se a vida trouxe as cicatrizes cabe a cada um aceitá-las e entendê-las.
Os amigos que deixei para trás são muitos, e comecei a entender como foi importante viver cada momento, somente quando ele era momento, porque depois que ele passa, tudo fica sem sentido, aprendi que estender uma mão é mais importante do que se segurar em uma em um momento de fraqueza.
Na verdade vivemos como produto de padrões que nunca conseguimos aceitar, e mesmo assim tentamos aceitá-los, a falta de amor próprio é consequência de negar a natureza daquilo que queriamos ser na verdade. Mais percebi que o tempo não é um ser que nos espera compreender as coisas, ele é impassivel, e sempre achamos que temos todo o tempo do mundo, e sempre vislumbramos a possibilidade de que se pudessemos voltar atras não tivessemos feito tudo diferente, na verdade não temos o tempo para perceber e fazer duas vezes.
Temos sempre a impressão que nessa estrada da vida estamos acompanhados, mais na verdade estamos sempre sozinhos, não devemos esperar que as almas que nos acompanham escolham os nossos caminhos, é mais ou menos como num parque de diversões, onde temos que ir nos brinquedos menos emocionantes pois temos que compreender que sua companhia tem medo de sentir pavor.
E acreditem, a estrada é longa! Mais entender os motivos que movem os outros seres faz ela parecer mais curta, talvez seja uma das coisas mais importantes, antes de se compreender, compreender a razão das ações das outras pessoas. Basicamente as pessoas só são movidas por 3 forças AMOR, INVEJA e AMBIÇÃO, são essas propriedades que fazem o mundo girar e que regem as ações de todas as pessoas do mundo. Já se sentiu como se só houvesse você no mundo, e como se todas as outras pessoas somente fossem figurantes para a sua história? É mais ou menos isso, entender como cada figurante se encaixa na sua história te faz viver melhor. Se hoje eu escrevo isso é porque eu entendi isso tarde demais, e isso não faz mais sentido na minha vida, porque agora estou sozinho. Eu não sei se Deus me dará opção de tentar novamente (nem ao menos sei se ele existe realmente, mais em breve vou descobrir), mais ao mesmo tempo uma nova tentativa poderia ser uma nova chance de errar, e o medo no coração as vezes nos faz pensar duas vezes se valeria a pena se arriscar, é o maldito condicionamento! Nos condicionamos a ter medo de errar e acabamos não nos permitindo arriscar.